“A exploração sexual infantil é uma questão delicada. É necessário que tenhamos jovens informados para debater essa problemática”. A afirmação é do gestor de articulações da Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e da Adolescência, Edson Macalini, na apresentação sobre projeto "Navegando nos Direitos", pelo qual a entidade é responsável. A aula inaugural para os estudantes e professores beneficiados pelo projeto ocorreu na tarde de quinta-feira, 25, no auditório da FAFIPAR, em Paranaguá-PR. A iniciativa conta o apoio da Rede Marista de Solidariedade.
O encontro rendeu esclarecimentos sobre o objetivo e a metodologia a ser utilizada nas ações do projeto – que vem conscientizando e munindo de ferramentas a sociedade parnanguara desde 2006, a fim de enfrentar em rede o abuso e a exploração sexual de meninas e meninos. Para tanto, conforme Macalini, o município precisa se engajar como um todo nessa luta e daí o envolvimento das diversas instâncias que lidam com a criança e o adolescente. O gestor citou essa responsabilidade comum a todos quando lembrou que na aula inaugural estavam presentes representantes das Secretarias de Ação Social e de Educação, Núcleo Regional de Educação, FAFIPAR e Projeto Prioridade Absoluta, CREAS e Conselho Municipal de Segurança.
Conforme dados da Secretaria de Ação Social, apenas no ano passado foram registrados 75 casos de exploração sexual contra crianças. Porém esse índice seria apenas 10% dos casos efetivos, conforme o diretor da pasta, Joaquim Guilherme da Silva Filho. Para ele, o trabalho desenvolvido pelo “Navegando nos Direitos” é reconhecido pelo poder público e pelo município. “O problema da violência sexual é muito sério, se não contarmos com essa rede ele pode ficar ainda pior”, advertiu Guilherme. E para além da exploração sexual, segundo a professora de português do Colégio Estadual Cidália Rebello Gomes, Nasidi Alexandrino, existem ainda outras expectativas em relação ao projeto. Nesse caso, ela e os colegas que também participarão das ações, esperam que as atividades de educomunicação influenciem no combate a violência no entorno das escolas.
Além do Cidália Rebello, outros quatro colégios estaduais também estão inclusos no projeto: Didio de C. Viana, Carmen Costa Adriano, Estados Unidos da América e Bento da Rocha Neto. Assim, o “Navegando” vai contar diretamente com quatro alunos e quatro professores de cada instituição. As atividades voltadas para os adolescentes acontecem todas as quintas-feiras, a partir do dia 8 de abril. Já os professores se encontrarão com a equipe da Ciranda bimestralmente. Com a multiplicação das informações realizadas por esses agentes a partir do segundo semestre a intenção é que sejam atingidos 100 estudantes e 40 crianças do PETI. Além disso, empresas e veículos de comunicação da região também serão envolvidos no projeto, de forma que compreendam e se engajem no enfrentamento à violência sexual infanto juvenil.
Junto com o apoio do poder público e de outras instâncias, o projeto contará com uma força jovem para continuar sendo desenvolvido em Paranaguá, que são os monitores. Ao lado dos oficineiros da Ciranda, esses ex-participantes de outras edições do projeto vão orientar as produções audiovisuais, impressas e virtuais dos novos jovens para a temática da violência sexual.
Higor Juan Bernardino, 17 anos, participa do projeto desde a primeira edição. Ele se recorda que nesses quase seis anos, mais e mais jovens foram conhecendo a proposta da educomunicação e do “Navegando” e se sentindo responsáveis pela realidade local. Justamente o que está acontecendo com o aluno da 8ª série do C.E. Bento da Rocha, Ismael Cordeiro Neto, que se interessou pelas produções audiovisuais e pela possibilidade de debater o tema e agora passa a integrar o projeto. “Adoro o audiovisual, ainda mais com essa temática, que é super complicada nos dias de hoje”, completou Ismael.