“Nós não somos números, somos pessoas”. Com estas palavras, o jornalista Mauri König explica porque é importante a valorização do ser humano quando se faz matérias jornalísticas. E complementa: “O jornalista é uma pessoa, que escreve sobre pessoas, para que outras pessoas leiam”.
Foi com esta fórmula e com a valorização do lado humano em suas reportagens que König se tornou um dos principais jornalistas do Paraná e do Brasil. O repórter especial do jornal Gazeta do Povo conquistou mais de 20 prêmios nacionais e internacionais, entre os principais do gênero. O jornalista foi o convidado do último Fórum Comunicação: a responsabilidade de construir um mundo melhor, de 2008. Parceria entre o Centro de Ação Voluntária, a Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência, e o Instituto Opet. Diferente dos outros encontros, o fórum que aconteceu sábado (25/10), contou apenas com o jornalista como palestrante, que falou sobre o quanto a comunicação pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade.
Para Mauri, o comunicador tem o poder de provocar mudanças através da comunicação, mas, para isso, depende de outras pessoas. Por isso a afinidade com a fonte e com o leitor é tão importante: o jornalista depende deles.
Quando se escreve de/para pessoas é preciso o máximo de ética ou, como diria König, é preciso ter a ética do carpinteiro. “Ética do carpinteiro é a mesma do jornalista, do médico, do advogado... é a ética do ser humano. Por mais que exista um código de normas para qualquer profissão, não se pode deixar de pensar que o que fazemos afeta a vida dos outros”.
Quando se trata de mídia, a ética deve estar ainda mais presente. Os meios de comunicação ditam modas, criam mitos e direcionam comportamentos. A influência que a mídia exerce sobre as pessoas, de qualquer meio e classe social, é enorme e inegável.
König desmistifica uma das primeiras regras que se aprende numa faculdade de jornalismo: a imparcialidade. “Ninguém é parcial, cada um expõe um pouco de sua carga e sua opinião em cada texto que escreve”. O principal problema, segundo ele, é que imparcialidade é confundida com direcionamento político. “O tema é tão discutido porque as pessoas associam parcialidade a ser de esquerda ou direita, esquecendo que existem outras maneiras de demonstrar isso. Sou parcial, sim! No meu caso resolvei ser parcial com relação aos direitos humanos. Não deixo de lado minha carga cultural e sentimental quando escrevo sobre as pessoas excluídas e os problemas sociais”.
Mauri fala que a “matéria-prima do jornalismo é a história”. No seu caso, estas histórias têm como fio condutor os direitos humanos. O jornalista busca valorizar em suas reportagens as pessoas que dificilmente estão nas páginas dos jornais, como o homem que mora no esgoto na Rua Fernando Moreira ou a família que vivia embaixo do viaduto na Rua João Negão. Duas histórias que acontecem em Curitiba, mas que nem todos que passam por ali percebem.
Com as principais reportagens de sua carreira, König lançou neste ano o livro Narrativas de um correspondente de rua. São histórias que valorizam as pessoas e as causas sociais e que foram responsáveis pela mudança no contexto das pessoas que estavam envolvidas nas reportagens. “O jornalista não precisa se preocupar em mudar o mundo. A principal mudança é aquela que envolve quem está a sua volta”, conclui o auto-intitulado “Correspondente de Rua”.