Juventude paranaense
agita a campanha Fim do Silêncio
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Por Juliana Cristina Cordeiro e Vanessa Magafá,
jovens protagonistas do projeto Navegando nos Direitos
Jovens de Curitiba e de Paranaguá-PR
organizaram um vasto cronograma de atividades para
movimentar uma campanha de verão pelo Fim
do Silêncio. A ação visou
o enfrentamento ao abuso e à exploração
sexual de crianças e adolescentes no litoral
do Paraná e teve, como protagonistas, os
meninos e meninas que representaram o estado no
III Congresso Mundial de Combate à Exploração
Sexual Infanto-juvenil, realizado no Rio de
Janeiro, em 2008.
Nos meses de janeiro e fevereiro, os jovens realizaram
discussões, oficinas de educomunicação
e distribuíram materiais aos moradores, turistas
e à rede hoteleira de quatro municípios:
Caiobá, Antonina, Morretes e Paranaguá.
No final de semana de encerramento, entre os dias
23 e 28 de fevereiro, eles buscaram novamente mobilizar
a sociedade litorânea, chamando atenção
dos moradores de uma forma alegre e descontraída,
com apresentações culturais feitas
pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos
da Vila Alboit e pela banda de hardcore Discov 84,
ambos de Paranaguá. Durante as apresentações,
os jovens distribuíam os materiais da campanha
e conversavam com o público. Por fim, cerca
de 50 pessoas iniciaram uma passeata pelo calçadão
beira-mar de Caiobá e seguiram na caminhada
até o balneário de Matinhos.
Passo a passo
Animados pelo batuque da escola de samba, os mobilizadores
seguiram entregando folder, cartazes e adesivos
para os veranistas. Os jovens destacaram a importância
da denúncia no enfrentamento à exploração
sexual, ao mesmo tempo em que coletavam assinaturas
para um abaixo assinado, que deve ser encaminhado
a instâncias de proteção até
o final do semestre. O objetivo da campanha foi
conscientizar para a problemática que pode
aumentar no período de férias por
causa da chegada de pessoas interessadas no turismo
sexual. E, a considerar pela agitação
dos eventos e pelo alcance das discussões,
muitos cidadãos foram mobilizados.
Os jovens também produziram textos, matérias
especiais (como esta), ensaio fotográfico
e boletins virtuais, além de dois vídeos
que serão exibidos em maio, no seminário
final do projeto Navegando nos Direitos e
na III Mostra de Mídia e Educação,
em junho deste ano. O Navegando é desenvolvido
pela Ciranda Central de Notícias dos
Direitos da Infância e Adolescência,
e atua desde 2006 com a sensibilização
e a mobilização social na cidade portuária
de Paranaguá, uma das regiões do estado
que mais sofre com o problema da exploração
sexual e comercial de crianças e adolescentes.
Protagonismo
Para estimular a participação dos
jovens nas discussões, a responsabilidade
de realizar as atividades ficou com eles. Por isso,
a elaboração das ações,
o cronograma de atividade, a articulação
e a busca de outros jovens para participarem da
campanha foi rotina dos adolescentes. Higor Juan
Bernardino, estudante de 15 anos, protagoniza ações
do Navegando nos Direitos há dois anos e
meio. Para ele, esse tipo de iniciativa se tornou
essencial: Os jovens têm um espírito
que chama a atenção e atinge a todas
as idades. Muitos adultos tentaram e não
conseguiram. É hora do jovem começar
a semear o futuro. Higor acredita que a utilização
de uma linguagem mais simples para expressar ideias
e opiniões pode ajudar na hora de sensibilizar
as pessoas. Nossa participação
é interessante porque pode multiplicar o
número de jovens que entendem e combatem
os problemas sociais. O jovem protagonista está
deixando sua marca e com isso fazendo jus ao que
tem direito, ressalta.
O protagonismo envolve a participação
ativa da juventude na busca pela solução
dos problemas existentes na sociedade. Por meio
de um engajamento político-social, os adolescentes
podem conquistar meios para mostrar sua visão
de mundo, tomando parte em congressos, seminários
e fóruns de discussão. Assim, eles
passam a questionar aquilo que atinge de maneira
direta ou indireta o seu cotidiano. Passam a ser
cidadãos que sabem de seus deveres e reivindicam
os seus direitos, bem como os da sociedade em geral.
Ação
Durante a campanha Fim do Silêncio,
vários jovens gostaram da proposta e quiseram
ajudar. Bryan Menegildo Cruz, de 16 anos, é
um deles. O estudante de Paranaguá se empolgou
com a movimentação, pegou os materiais
e começou a distribui-los. É
muito importante participar de mobilizações,
pois em eventos assim a gente atinge o público
que está prestigiando as apresentações
culturais e pode conscientizá-lo sobre o
problema da exploração sexual de crianças
e adolescentes, conclui.
Ao todo foram três semanas de mobilização.
O resultado esperado é a efetiva participação
da sociedade na combate à exploração
sexual e comercial de meninos e meninas. Mesmo com
boas iniciativas no Paraná, ainda é
visível a necessidade de ampliar as atividades
que incentivem a participação social
e, principalmente, a juvenil no enfrentamento deste
problema.
Jovem, junte-se você também nesta
luta pelo fim do silêncio! Participe de mobilizações
na sua cidade. Se não houver um evento programado,
organize-o com seus amigos! Todos precisam se unir
para a garantia dos direitos das crianças
e dos adolescentes deste país.