Oficinas de capacitação
trazem a reflexão sobre as responsabilidades
dos atores do sistema de garantia de direitos
Controle social
e formulação de propostas de políticas
públicas da área da infância
foram os temas trabalhados em oficinas de Capacitações
Técnica oferecida pelo Projeto Navegando
nos Direitos, que aconteceram nos dias 15/04 e 05/05
respectivamente. Os encontros reuniram profissionais
do Programa Sentinela, do programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (PETI), membros do Conselho
de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA),
assistentes sociais e estudantes do ensino público
da cidade.
As oficinas fazem parte das ações
do projeto para o enfrentamento à violência
sexual infanto-juvenil em Paranaguá. Elas
acontecem como resultado de demandas levantadas
na avaliação feita pelos atores sociais
que da primeira etapa do projeto, finalizada em
2007.
Aos atores do sistema de garantia como agentes
do controle social
O poder dos atores do Sistema de Garantia de Direitos
da Criança e do Adolescente em exercer o
controlar as demandas e ações na área
da infância foi o ponto central e motivador
da 3ª Oficina de Capacitação
realizada em Paranaguá pelo projeto Navegando
nos Direitos.
Para falar sobre o tema, o encontro contou com a
participação de uma londrinense, a
coordenadora do projeto Olho no Futuro, de Reordenamento
Político, Jurídico e Administrativo
do Estado no Âmbito da Criança e do
Adolescente e da Assistência Social e professora
da Universidade Estadual da cidade (UEL), Vera Lúcia
Tieko Suguihiro.
Para explicar a prática do controle social,
Vera Suguihiro usa a definição de
que é "uma questão de administração
da coisa pública", em que os profissionais
acompanham as questões que dizem respeito
a sua área, não somente ao seu trabalho
específico. A professora destaca dois ingredientes
essências para o exercício do controle
social: a ação coletiva e participação
como protagonista e não com figurantes.
Os Conselhos de Direitos, pela sua possibilidade
de autonomia, representatividade e legitimidade,
são vistos por Suguihiro como espaços
centrais e propícios para a prática
do controle social. Porém, pela experiência
com Conselhos na cidade de Londrina/PR, a professora
de analisa o organismo como "inoperantes, desmotivados".
Para representantes de Conselhos de Paranaguá,
presentes na oficina, a falta de apoio dos órgãos
públicos e o pouco interesse da população
são os principais problemas.
Problemas e soluções
A prática do controle social na história
recente do Brasil é pequena. Segundo a professora,
o regime de repressão influenciou nessa postura
passiva da maior parte da população:
"Nós passamos por uma prática
tão violenta de ditadura que perdemos a iniciativa
de atuação", afirma.
Além da herança do período
militar de governo, Vera Suguihiro elenca pontos
visíveis de entrave ao controle social. A
forte hierarquização é uma
deles, por provocar a fragmentação
do trabalho e impossibilitar uma visão maior
e mais consciente da função exercida.
A constante desqualificação dos instrumentos
públicos em detrimento do privado também
atrapalha o controle, já que existe a visão
de impossibilidade de mudança ou interferência
nas ações públicas. Por isso,
com afirma a professora, as privatizações
ganham força.
Durante a oficina, as dúvidas sobre como
colocar o conhecimento em práticas foram
permanentes entre os participantes. Umas das formas
indicada pela palestrante é a de conhecer
a realidade onde se atua, para ter argumentos racionais
perante as faltas dos organismos públicos.
Para solucionar o problema de falta de interesse
da comunidade, a formação de lideranças
para atuar na participação da formação
das políticas públicas do município
são ações eficazes, segundo
a palestrante. A formação dos cidadãos
e dos próprios atores do Sistema de Garantia
dos Direitos de Crianças e Adolescentes para
incentivar atitudes criativas, de organização
e mobilização social também
foram indicadas pela professora com maneira que
realizar o controle social.
A formulação de
propostas de política pública: uma
forma de interferência na realidade
Como complementação do tema "Controle
Social", a capacitação sobre
"Formulação de propostas de políticas
públicas da área da infância"
trouxe informações que vão
servir de ferramentas de ação concreta
para os profissionais que trabalham com as crianças
e adolescência.
Para a palestrante, professora do Departamento de
Serviço Social da Universidade Estadual de
Ponta Grossa, Lenir Aparecida Mainardes da Silva,
a falta de participação dos cidadãos
na elaboração de políticas
públicas é também reflexo da
repressão dos anos de Ditadura vividos no
Brasil. "Temos que valorizar a importância
e a liberdade de discussão, de conversa aberta"
diz a professora se referindo ao formato aberto
e democrático da oficina, feita em roda de
conversa, com a participação de todos.
Entre os pontos principais da formulação
de uma proposta de política pública,
Lenir coloca: a consulta à população
e aos órgãos municipais, em espaços
de diálogos e interação para
o reconhecimento do que já está sendo
realizado; a pesquisa para um diagnóstico
completo; e a avaliação sobre a aplicabilidade
da ação.
Logo depois da explicação teórica,
os participantes passaram à prática:
em grupos, propostas de ação foram
pensadas segundo a realidade do município.
A diversidade dos componentes de cada grupo - educadores,
guardas municipais, estudantes, membros de Conselhos
de Direito e de secretarias municipais - possibilitou
a interação e a opinião sobre
diferentes pontos de vista, o que trouxe aos trabalhos
maior proximidade com a realidade.
Para que propostas levantadas pela sociedade sejam
efetivamente consideradas no momento em que os representantes
políticos aprovam uma política pública,
Lenir lembra que existem espaços fundamentais
no que chamou de "pressão social":
Os Fóruns, Conselhos de Direitos, movimentos
sociais e os meios de comunicação.
Agenda
A próxima Oficina de
Capacitação acontece no dia 04/05
e terá como tema "Implementando um Plano
de Comunicação". O encontro vai
buscar trazer a percepção da importância
de processos e ações comunicativas
estratégicas para a mobilização
e sensibilização social.
O local será o mesmo dos outros encontros:
Associação de Colaboradores da Escola
de Deficientes Auditivos de Paranaguá, ACEDA.
Rua Maneco Viana, 1718, Vila Horizonte, Paranaguá-PR.
Telefone: 41-3422-6835